Saiba como investigar o passado de um carro usado

Você olha o carro e se apaixona por ele. Só após a convivência é que descobre que ele já nadou em enchentes, está cheio de massa ou teve o motor trocado. A chance é que você tenha entrado num casamento compulsório, sem direito a separação amigável. Assim, o melhor a fazer é paquerar bem o carro antes da compra, para descobrir o que há sob a maquiagem.

Muitos sofrem acidentes graves, mas são consertados e colocados no mercado. Para fugir deles, a receita é observação cuidadosa.

“Todo interessado em um veículo deve observar se, nas junções de suas peças, como para-lama e lateral traseira, dentro da caixa de rodas, houve remoção ou alteração das massas de vedação”, diz Sérgio Ricardo Fabiano, colaborador do Comitê de Veículos da Sociedade de Engenheiros da Mobilidade (SAE Brasil).

Essas massas são camadas de PVC aplicadas sob o carro para evitar infiltração de água. Em veículos novos, elas são mais perceptíveis. Em usados, elas podem estar encobertas por crostas de terra. Dê preferência a veículos que tenham as caixas de roda limpas e que permitam essa verificação.

Fabiano dá mais uma dica para identificar batidas graves: vãos de porta muito abertos ou fechados em todo o contorno do veículo, especialmente se houver diferenças entre um lado e outro do carro.

“Procure por diferenças de cor na pintura, ou se ela está opaca em algum ponto, com escorrimentos na pintura. Falta de acabamentos também é indício de que possa ter sido reparado”, aponta Sérgio.

Além dos carros batidos, também é bom tomar cuidado com os que passaram por alagamento. E não apenas porque você vai ter de aturar o “cheiro do cachorro molhado” que fica depois, mas também porque a água afeta o carro inteiro, da carroceria (que pode ter pontos de oxidação) à parte elétrica e eletrônica (os contatos podem enferrujar e deixar diversos itens do carro sem funcionar).

Se o cheiro não denunciar a enchente, a presença de terra ajuda. “Verifique por baixo de bancos e carpete, no painel e dentro das laterais de porta se existem vestígios de terra”, diz Paulo Santana, da empresa Vistoria & Cia.

“Esses resíduos também podem estar dentro do cofre do motor ou no porta-malas”, afirma Fabiano.

Em todo caso, só esses vestígios não adiantam. “Se o veículo tiver sido higienizado por uma boa empresa de limpeza, é quase impossível descobrir. Então, veja se há emperramento do dispositivo retrátil do cinto de segurança, falhas intermitentes de componentes elétricos e rangidos diversos, que ocorrem decido ao ressecamento de componentes pela contaminação da água”, diz Claudemir Rodriguez, analista técnico do Centro de Experimentação e Segurança Viária (Cesvi).

Sujeira sob o tapete

Fabiano lembra outros itens que devem ser checados. “Faróis ou lanternas com água ou oxidados podem ser um sinal de que o carro passou por enchente”.

Confira ainda os carpetes e a forração sob eles, que são os primeiros a sofrer a entrada de água. Veja se eles não estão descolados ou estufados, com sinais de que encharcaram e depois secaram, ou então se não estão novinhos em folha num veículo bem rodado. Isso pode ser um sinal de que foram trocados recentemente.

Muita gente não sabe, mas motor também tem número de identificação, assim como o carro tem número de chassi. Se eles não baterem, Fontana recomenda a verificação do motor por uma empresa especializada nesse tipo de checagem.

“A vistoria de procedência vai verificar se o número do motor é o original de fábrica, ou se existem sinais de adulteração. No melhor dos casos, talvez signifique que o motor pode ter sido adquirido numa retífica”, diz ele. No pior, o motor pode ser de um carro roubado.

Para ter certeza de que um motor está em bom estado, além da observação de seu funcionamento (procure por falhas na aceleração , vibrações excessivas, etc), há um procedimento simples, ensinado por Fabiano.

“É preciso verificar se ele não está queimando óleo (passe o dedo por dentro da ponteira do escapamento frio), e se não apresenta barulhos diferentes e acentuados quando se acelera o motor”. Fumaça azulada saindo do escapamento também é mau sinal. Se quiser se certificar de que o motor nunca foi mexido, dê uma espiada em sua fixação.

“É possível verificar marcas nos parafusos que fixam as tampas e componentes do motor. Entretanto, isso depende também do cuidado tomando na hora do reparo, podendo mesmo não apresentar evidências de sua realização, se foi bem feito”, afirma Felício Félix, analista técnico da Cesvi.

No que se refere ao câmbio, há cuidados diferentes a tomar, dependendo se ele for manual ou automático. “Para uma transmissão automática, observe se há lentidão nas trocas de marcha, ou se é preciso uma rotação maior do motor para que elas aconteçam. Para uma transmissão mecânica, ruídos e dificuldades de engate significam desgaste em componentes internos”, afirma Rodriguez.

Atenção também com a quilometragem. Há como ver se ela está baixa demais. “Fique atento ao desgaste das borrachas dos pedais, do volante, da alavanca do câmbio e dos pneus”, diz Fontana.

Em veículos pouco rodados, o desgaste nessas peças não é perceptível. Nos muito rodados, acima de 70.000 km, os eventuais relevos já deram lugar a plásticos e borrachas lisos e gastos.

Detalhes que comprometem a venda de um carro

  • Vãos das portas com espaço desigual
  • Portas raspando nos batentes
  • Diferença de pintura entre um lado e outro
  • Marcas de terra debaixo dos bancos e carpetes
  • Dispositivo retrátil do cinto emperrando
  • Carpete e sua forração descolando e estufados
  • Número do motor diferente do original
  • Óleo escorrendo do escapamento
  • Água dentro dos faróis e lanternas
  • Fumaça azulada saindo do escape

*Via

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